Em 2008 foram vendidos em Portugal 10762 motociclos.

De Janeiro a Dezembro de 2008 foram vendidos em Portugal 10762 motociclos. Em 2007 tinham sido vendidos mais 206 motociclos, um total de 10968 unidades. Registou-se portanto uma quebra de 1,9%. Se considerarmos o longínquo ano de 1999, época áurea do motociclismo nacional, em que se registaram 19.165 matriculações, lideradas pela Yamaha com 6523 unidades vendidas, mais 500 que a actual líder e sua eterna rival, a Honda, podemos facilmente concluir que a quebra das vendas, desde então, tem sido, numa perspectiva meramente aritmética, de quase 5 por cento ao ano!

Quer isto então dizer que o resultado de 2008 não foi assim tão mau quanto isso, pelo menos no que aos motociclos diz respeito, já que relativamente aos ciclomotores a estatística nacional só os começou a contabilizar recentemente.

Regressando à actualidade, a Honda, já há alguns anos líder do segmento, e cuja quantidade de unidades vendidas em 2008 (2796) representa cerca de 26 por cento do mercado total, matriculou neste período menos 80 motociclos que em 2007. O segundo “peso pesado” do mercado continua a ser a Yamaha que, ao vender menos 423 unidades (1842), ainda assim representa 17 por cento das matriculações totais. Quase impassíveis nesta “montanha russa” mantiveram-se a Suzuki (1634) cujos resultados apenas acusam uma quebra de 23 unidades e a Kawasaki (686) que vendeu menos 37 que em 2007.

A surpresa vem no quarto lugar desta tabela, pela mão da BMW (673) que subiu as suas matriculações em 108 unidades, um incremento superior a 19 por cento. Mas mais surpreendente ainda foi o aumento registado pela Ducati que no ano de 2007 tinha vendido apenas 81 unidades e que em 2008 vendeu 126, o que representa um aumento de 55,6 por cento nas suas vendas. Mas esse valor não chegou nem de perto ao conseguido por marcas que tinham até agora com um peso desprezível neste segmento de mercado, como a Daelim que passou de 22 unidades vendidas em 2007 para 57 em 2008, ou a SYM que passou de 127 para 352 unidades vendidas no mesmo período. Claro que tudo isto, comparado com o crescimento apresentado pela Peugeot de 5 para 52 unidades (940%), é meramente banalizável. Derbi, Hyosung e Gilera registaram também crescimentos exponenciais apesar de incidirem sobre valores muito pequenos.

As restantes marcas europeias não foram poupadas pela “crise” sendo que a Triumph apenas registou uma quebra de aproximadamente cinco por cento (de 92 matriculações em 2007 caiu para 87 em 2008), a KTM (que passou de 540 em 2007 para 482 unidades vendidas em 2008) sofreu uma queda de 10%, mas a Aprilia caiu quase 40% tendo visto reduzidas as suas matriculações de um total de 73 unidades em 2007 para 46 no ano de 2008,. Já a MV Agusta perdeu mais de 55% de cota de mercado com a quebra de 30 unidades nas vendas que em 2007 tinham sido de 54 unidades.

Nas americanas, a Harley Davidson registou uma queda de 14 unidades, e como em 2007 tinha vendido 190 motociclos, a quebra foi de 7,4%. Já a Vectrix, que iniciou as suas vendas em 2008, conseguiu matricular apenas 11 unidades, deixando antever que a sensibilidade dos portugueses às causas ecológicas ainda precisa de ser muito trabalhada! Considerando os valores apresentados, apetece quase dizer que a Yamaha sofreu na pele a entrada de novos “players” no mercado, e parece que foi sobretudo o advento das “mega-scooters” que desequilibrou esta bolsa de matriculações.

Mas também é preciso dar uma olhada ao lançamento de novos modelos em 2008. A Yamaha e a Honda não apresentaram “grandes” novidades. A Suzuki e a Kawasaki também não. O mesmo caminho foi seguido pela Triumph, por isso não espanta que os lançamentos da Ducati e da BMW ao longo do ano, tenham influenciado tão positivamente as vendas, num mercado que sonha com novos modelos, mais potência e novas sensações.

Num mercado paralelo, o dos ciclomotores, florescente já que registou um aumento de vendas de quase dez por cento, e que representa um total de 7236 unidades matriculadas, a liderança absoluta continuou na mão da Keeway que ainda assim perdeu quase dez por cento de quota, (passou de 1531 em 2007 para 1388 unidades em 2008) seguida de perto pela Yamaha que aqui conseguiu resultados (apesar de negativos) bem melhores do que no sector dos motociclos (tinha vendido 1040 unidades em 2007 e apenas vendeu menos 23 unidades em 2008). Mas o destaque deste segmento vai para a SYM que vendeu mais 644 unidades que no ano anterior em que tinha vendido “apenas” 291 unidades, resultado representado por um crescimento de mais de 220 por cento, quase destronando a Yamaha do segundo lugar da tabela. A Honda também registou um aumento razoável, superior a 30%, registando um incremento de 133 unidades às 427 que tinha matriculado em 2007. A PGO multiplicou por cinco as suas vendas e a Benelli multiplicou por quase nove os resultados de 2007.

Apesar dos números percentuais serem elevados nestas marcas, representando um bom trabalho dos seus representantes, a sua penetração no mercado continua a ser superficial. A Gilera não conseguiu superar os seus resultados de 2007 ano em que tinha vendido 89 motociclos, registando um decréscimo de 32 unidades. A Piaggio sofreu uma queda de 55 unidades depois de em 2007 ter matriculado 710 motociclos.

Acompanhando a tendência europeia onde a venda de veículos de duas rodas aumentou na proporção do custo dos combustíveis, das preocupações ambientais e dos ganhos em mobilidade, apraz-se-nos dizer que em Portugal estamos a acompanhar a tendência, apesar de, tal como em tudo, estarmos ainda com uma razoável “decalage” (atraso pode parecer ofensivo) temporal relativamente aos países que nos servem de exemplo.

Pena que as condições necessárias para o aumento da mobilidade por via de um incremento de melhores condições de circulação e estacionamento dos motociclos sejam tão esquecidas e tão pouco acarinhadas por quem de direito.

Clique aqui para ver um mapa comparativo dos últimos 10 anos de vendas de motociclos em Portugal

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