Faz um ano que a “Lei das 125” foi aprovada

Agora já só falta arranjar lugares de estacionamento.

Há um ano, quando finalmente se pôs fim ao longo processo relativo à transposição para a legislação nacional da directiva comunitário 91/493/CE  que os titulares de carta de condução de categoria B, com mais de vinte e cinco anos de idade, estão também habilitados a conduzir motociclos com cilindrada inferior a 125cc, desde que estes não declarem uma potência superior a 11 KW (14,7cv).

Então, muito dedo se gastou a “teclar” teorias de caos: Iam morrer condutores aos montes, as escolas de condução iam parar à falência, o trânsito ia passar a ser um pandemónio, com malucos a zumbir e a cair por todo o lado, os “verdadeiros motociclistas” iriam ser identificados com esta nova leva de gente sem formação que iria contribuir para piorar ainda mais a imagem do motociclismo, etc. etc.

Os importadores e as lojas de motos e de acessórios, assistiram a esta discussão, impotentes mas expectantes. Afinal, do fundo do pântano em que a sua actividade se encontrava, devido sobretudo à crise e ao desaparecimento gradual dos motociclistas, esta era (havia já muito tempo) a luz ao fundo do túnel. No imediato a venda de novos ciclomotores iria contribuir para uma inversão dos números. No curto prazo, a venda de acessórios e equipamentos iria ser um importante complemento e, no longo prazo, antevia-se uma nova geração de verdadeiros motociclistas, infectados pelo vírus das duas rodas e para quem os escassos cavalos iam ser demasiado poucos, vindo mais tarde a habilitarem-se para se poderem agarrar aos comandos de uma verdadeira moto.

Hoje, isso já está mesmo a acontecer e, nas nossas estradas, ruas e nos escassos locais de estacionamento autorizados, já nos confrontamos com uma grande quantidade de pessoas que, numa atitude racional e louvável, trocaram o automóvel e todas as suas desvantagens em ambiente urbano, por uma mais fácil, rápida, económica e excitante forma de deslocação.

E curiosamente, ao final de um ano, os números oficiais publicados pela ANSR (Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária) revelam que, em termos de sinistralidade, quer para condutores como para passageiros, o número de óbitos se manteve e o número de acidentados até registou uma diminuição significativa. Segundo os últimos dados, houve cerca de 35% menos sinistrados em estado grave. Isto considerando apenas os velocipedes e os ciclomotores (nos motociclos a sinistralidade diminuiu  10% no último ano).

Se dúvidas havia, pode-se agora afirmar que esta lei apenas pecou por demasiado tardia. Hoje é com agrado que assisto ao aparecimento de novos motociclistas, alguns que até já evoluíram e que já tiraram a “carta A” e conduzem agora motos bem mais “espigadas”.

Publicado na edição nº 234 da Revista MOTOCICLISMO

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