Harley-Davidson FLHRC Road King


Harley-Davidson FLHRC Road King
Harley-Davidson FLHRC Road King

O dia estava calmo, não se previa chuva e não estava demasiado calor. O destino não era importante, mas o desejo de ver o mar era grande! À minha espera estava a deslumbrante (FSRH) Harley-Davidson Road King que podem ver nas fotos.

Sentar-me em tal tipo de máquina exige sempre de mim um momento de reflexão. Ter que esquecer a posição de condução “normal” de quem anda de moto, e colocar as mãos ao alto em vez de as pôr em baixo e os pés para a frente em vez de para trás, é sempre registado cá dentro como uma excepção e não como uma regra (pelo menos por enquanto). Mas a verdade é que esta Road King, deu-me imenso prazer!

Transeuntes curiosos e amigos contemplaram-na sempre emitindo a sua opinião, quer baseada no que viram, quer bastante influenciados pelo “status” da marca. Mas todos foram unânimes: É muito bonita! Distinta! Uma grande moto! Deve ser muito confortável, etc.

Pois bem, sem chave, que isso é coisa de antigamente (agora a Road King trás um porta-chaves com RFID – identificação por rádio frequência), o novo sistema poupa-nos aquelas cenas macacas de ter que descalçar a luva recém posta, para tirar a chave muitas vezes esquecida no bolso!

Assim, a chave serve apenas para imobilizar o botão de contacto e trancar a direcção. Ao afastarmo-nos, o alarme é activado, o imobilizador é accionado e, ao voltarmos a aproximarmo-nos os mesmos são desligados. Em pequenas paragens, basta rodar o grande botão do contacto, para desligar o motor, e mais nada!

Maravilha!

Vamos lá embora, então!

O momento de dar arranque nesta moto é sempre uma celebração! Desde que nos habituemos a algumas pancadas fortes dos pistões logo no momento do arranque, somos imediatamente saudados por uma sucessão de explosões (no caso disfarçadas demais pelos longos escapes (street legal) que se nos entranham e deixam antever quilómetros de prazer.

Com um descomunal “clanque” vindo da caixa de velocidades e que nos avisa que a primeira velocidade está engrenada, estamos prontos para arrancar!

E que arranque!

Basta largar a embraiagem e tirar os pés do chão! Parece que foi ensinada a andar! Podem até levar uma cesta de ovos no lugar do pendura pois o mote desta moto parece ter sido a suavidade!

O grande binário disponibilizado (mais de 12 Kg/m às 3.400 rpm) pelo motor de 96 CI (1.573 cc.) dispensa grandes acelerações e, praticamente ao “ralenti”, podemos largar a embraiagem à confiança que lá vamos nós!

A manobrabilidade desta máquina, entre os carros, no estacionamento, a sair da garagem ou em ruas apertadas é grande, mas apenas em termos relativos.

Os seus 330 Kgs de peso a seco, e os quase 2,40 mts de comprimento mais a largura de quase duas motos “normais”, é obra. Muita obra! Basta que disso nos esqueçamos e garantidamente vamos dar connosco a pedir ajuda para a puxar para trás!

Ainda assim, das “grandes custom” que conheço, este enorme pedaço de vaidade é uma das mais manobráveis, ao contrário do que podia parecer.

Contribui para isso a modesta inclinação da forquilha com apenas 26º e um centro de gravidade extremamente baixo, receita para não termos medo de a deixar cair.

O pneu traseiro estreito, (de medida específica Harley mas que equivale aproximadamente a um 140 na medida normal) é também responsável pela facilidade com que esta Road King entra em curva e se mantém estável mesmo a baixa velocidade.

O guiador bem aberto e não demasiado alto também contribui para o aumento da confiança pois, ao manobrar, temos algo onde agarrar firme.

A vibração “típica” que se sente ao ralenti rapidamente desaparece em andamento. O novo motor 96ci representa um grande avanço relativamente aos modelos anteriores, proporcionando uma enorme sensação de potência e de suavidade agradando aos mais puristas e aos mais desconfiados.

Depois de engrenar a 5ª ou a 6ª velocidade, e sem ser preciso grandes subidas de rotação, a Road King mostra-nos tudo o que basicamente é: uma moto para desfrutar a paisagem e a companhia, seja qual for o trajecto, seja qual for o tempo, ou o destino.

Desde que não se pretenda fazer uma condução muito “empenhada” dispomos de um sofá super confortável, uma posição do condutor e pendura perfeitas para aguentar sem problemas horas seguidas de viagem. E se tivermos que cumprir médias, bom, vão ter uma grande surpresa. Com esta máquina, conseguem-se muito boas médias de tempo. Boas demais até, talvez!

Para isso contribui a suspensão relativamente macia, que pode ser afinada de acordo com o nosso gosto, na estação de serviço, aumentando ou diminuindo a pressão de ar da pré-carga dos amortecedores.

E, se a nossa estrada não for muito movimentada, podemos ainda dar-nos ao luxo de ligar o “cruise-control” e deixar a imaginação correr…

Os travões estão bem dimensionados. Pelos percursos que fiz ao longo das nossas nacionais, nunca lhes detectei qualquer fadiga, mesmo a descer estradas sinuosas e com pendura. A sua eficácia também não tem qualquer reparo.

O grande pára-brisas protege-nos da bicharada, da intempérie, e o único preço a pagar é um pouco de vibração no capacete.

A iluminação é óptima. Contribuindo para isso o grande farol equipado com lâmpada de halogéneo/quartzo de 60W e os seus dois satélites de 35W cada, e que podem ser desligados manual e individualmente.

A autonomia do depósito de 18 litros cifra-se nos 250 km para um andamento que, digamos, quase corresponde ao cumprimento do código da estrada, aplicando-lhe apenas todas as desculpas que normalmente inventamos quando vamos com pressa! (Sem exageros claro!) E sem nunca nos privarmos de fazer “bombar”, ainda que discretamente, aqueles escapes, sempre que chegamos ou partimos de algum local.

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Ficha Técnica:

Motor
Tipo: 4T, 2 cilindros em V, arrefecido a Ar
Distribuição:
Cilindrada: 1584cc
Diâmetro x curso: 95,3×111.1
Potência declarada:
Binário declarado: 12.9 kgm/3500rpm
Ignição:
Alimentação: ESPFI- Electrónica sequencial
Racio de compressão: 9,2:1
Arranque: eléctrico
Embraiagem:
Caixa: seis velocidades
Transmissão secundária: por correia
Ciclística
Quadro: Em aço tubular
Suspensão dianteira: Forquilha convencional
Suspensão traseira: Dois amortecedores com pré carga ajustável por ar comprimido
Travão dianteiro: Dois discos de 320mm com pinça de dois pistões
Travão traseiro: Disco de 320mm com pinça de dois pistões
Roda dianteira: MT90B16 72H
Roda traseira: MU85B16 77H
Dimensões
Comprimento: 2380mm
Distância entre eixos: 1610mm
Altura do assento: 683,3mm
Capacidade do depósito: 22,7l
Peso: 332kg
Preço:

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